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quinta-feira, 21 de julho de 2011

o meu momento


as férias,
os dias,
folga.
folga?

os dentes rangendo, a cabeça fritando, o estômago doendo, os cabelos caindo, a bolha, as brigas. os amigos, as distâncias, as ligações, os encontros, as noitadas.

tanta espera pra mais do mesmo.

o horóscopo, o tarot, o cigarro, o alcool, o cigarro, o alcool, o cartão ("me liga se precisar"), as águas quentes.
a água fria.

as propostas, os desafios, as consultas, os exames, as cartas.
A impressão é de um lugar intimamente desconhecido, aquele beco escuro que só existe na minha cabeça, de onde eu fujo de qualquer jeito pra não enfrentar meus demônios.
O fato é: não há como fugir de sua própria natureza, não tem porque fugir de seu próprio inferno e que ninguém vai ao céu sem saber de si mesmo.
Então é isso que estou fazendo aqui no inferno procurando meu eu diabólico, este que anda falando em meu nome.
Até que ponto somos capazes de assumir nossos demônios? Aquela vontade de comprar uma galinha preta e ir pra encruzilhada mexer com coisa podre. Poder, magia negra.
Pobres pessoas sem luz aquelas que não lamberam suas próprias feridas e gostaram do gosto do sangue. Aquelas que não duvidaram de Deus, de si mesmo e de sua própria sanidade. Aquelas que sempre optam pelo simples e vazio. Aquelas que nunca se afundaram até o pescoço na lama e que acharam que por ali ficariam até morrer de fome. Aquelas que nunca olharam através dos buracos de suas almas, aquelas que escondem e remendam os buracos. Aquelas que não gostam de olhar pra trás e que só querem sempre seguir em frente. Aquelas que nunca ficaram dias sem tomar banho, escovar os dentes, atender o telefone. Aquelas que tem um manual de instruções pra sobrevivência na selva humana. Aquelas que nunca foram acusadas de loucas, estúpidas e egoístas. Aquelas que não sabem o que é qualquer uma destas coisas e portanto não sabem o que é superar isso.
Alguém já disse por aqui e eu gostei: "se uma árvore pretende lançar sua copa aos céus deve primeiro fincar suas raízes no inferno".
Mas cuidemos para que esta descida ao inferno não nos deixe sem ar puro pra respirar.
Toda crise pari um novo ciclo, um avanço no saber de si. Eu por enquanto ando me angustiando com as águas turvas do lago do passado, os cães sedentos na porta do inferno, a foice da morte, a minha parte do inferno, afinal, ele também está em nós. Não saber o que fazer é lema nesta fase. Mas querer fazer já é fruto do ar novo que vem vindo por de fora desta vagina que parirá a mim e aos meus novos braços, mãos, pernas e mente.
Na pressa, o prematuro grita. Mas eu não posso.
A gestação é intrinsecamente só.
Ai: o meu insuportável silêncio e minha difícil companhia.
adeus vou embora, meu bem. chorar não ajuda ninguém... a seca mal começou?
E eu ainda estou esperando o alinhamento dos planetas...

domingo, 10 de julho de 2011

mais um início

Hoje (29/06) é dia do meu aniversário e 02:45 da madrugada estou sentada em minha cama (sem tomar café ou querer fumar) para pensar em mim.
Tenho tido vontade de falar sobre coisas e pessoas: as fofocas, as entrigas, os vícios, os fluxos de energia, as pulsões, os amores.
"O nosso amor não é um castelo de cartas. É um castelo de pedras" que pode ficar frio e escuro, mas confortável e quente também. Pense no Sol e nas manhãs!

* Essas malditas línguas, que são mais bocas do que gente e mais falam do que olham ou sentem. Pois que estas más línguas se mordam e se rasguem e que encontrem mais espelhos em seus caminhos.

* As negociações são inesgotáveis. Sempre. A vida é toda feita delas e não é possível fugir (como não se foge do tempo). Se eu te tomar um pedaço maior isso fica registrado e lá vamos nós de novo..

* O impulso é o presente do diabo. A Caixa de Pandora. É a água e o fogo, queima e afoga. Mas Deus escreve certo por linhas tortas, afinal, linhas é o que sobram pra limitar os impulsos. (Ainda bem que veio tesoura no meu Kit de sobrevivência alive). Sai por aí sem limites menina? E com uma tesoura? Ah, pois sim, tomara que encontre barreiras de pedra.
O impulso, com toda a força que o faz ser, arrebenta pra fora o bom e ruim. Mas se, por acaso arrebenta pra dentro, aí então é sempre ruim. (Chamam de individualismo, eu acho que é auto-preservação)

E sair por aí falando esquizofrenias mentais, essas conversas lunáticas!

sábado, 7 de maio de 2011

fluxo-corrente

Se eu só puder escrever eu vou escrever. Eu sei. De que me serve? Não sei também. Mas Hilda Hilst me mostrou o quão profundo para as vísceras pode ser o fluxo da escrita.Enfim, estava falando de escrever do que me come por dentro. Sempre esses vermes me abrindo buracos, vermes verdes, brancos, dentuços. Uns Pac Mans. Ai os buracos, seus medos obscuros. Meu eu afundado, esburacado. Aflito. Quem sou eu? Mais essa conversa não poderia ir pra um rumo mais clichê mesmo. Enfim. É a pergunta que nunca dorme. Como pode ser eu dilacerado? Uma vida segura, isso é amor verdadeiro! O cara está falando na TV. Sabe, não me importam se são verdadeiros os amores. Como não seriam se os chamam assim? Eu gosto de amar, gosto também de. Eu só sei ser assim.
Olha, uma parte do meu eu. Caramba. Por que deus só fez a gente com os olhos voltados pra fora? As janelas nos mostram o mundo, mas não nossa casa. Mas também de que adianta? Vai que esse é o sentido mesmo.
Sobre amar. Amar. Talvez isso seja uma das partes do meu problema. Amar demais. Ah não! Por que amar demais? Se amar já é mais um pouco? E esse pouco. Eu quero o orgasmo dos braços, do cérebro e dos tendões. Oh, que imagem. Mas querer não é poder menina, pega o tempo e ponha-o na coleira pra passear. Não vai longe que o jantar vai ficar frio. Ou mofado. Na mesa.
Agora já não sou eu que pareço escrever. É um ser eu. UFA... Mas é um velho de caximbo numa cadeira de balanço na varanda de casa, ou com abajur na sala. Ó, não eu. Mas velha, agora?
E o que me dilacera? Dilacera. Perceba a arrogância da palavra , pois estou em pé. OK, sentei.
Traumas, temos uma vida toda baseada neles. Não uma, todas.
Mas sabe, parece que o fluxo vai virando lagoa. Há. E se eu continuo sem saber o que fazer, continuo. A vida é assim. Pelo menos a minha tem sido. Ainda ando esperando formulinhas mágicas para ter sido. Acontecer. Formulinhas por baixo do tapete ou no bico do pássaro azul.

O melhor dessa maneira de escrever é a sua inocência em ser. Vai sendo.
(1º de maio)